Caso Joana: Análises nos EUA poderiam explicar sémen nas cuecas da menina
“A Polícia Judiciária abdicou de provar que Leandro violou a pequena Joana, antes de a enteada de oito anos desaparecer da aldeia da Figueira, em 2004. Por forma a “poupar 10 mil euros” em exames nos Estados Unidos, diz ao CM Gonçalo Amaral, ex-coordenador da PJ de Portimão.
Leandro recusou-se a ceder esperma para análise. Feitos exames de ADN com base em saliva recolhida ao suspeito, tudo apontava para que os vestígios encontrados em cuecas damenina fossem sémen do padrasto – mas, para ter provas a sustentar a acusação, seria preciso que a PJ pedisse novos marcadores de ADN a um laboratório nos EUA.
Foi uma indicação do Instituto de Medicina Legal que “não foi seguida pela PJ”, segundo Amaral, e que o ex-responsável da investigação diz ser “estranha e hilariante”. A PJ ter-se-á recusado a gastar cerca de “10 mil euros” nos exames.
Este processo surgiu na sequência da investigação ao desaparecimento da menina da Figueira e foi arquivado em Junho do ano passado pelo Ministério Público – já com Amaral afastado deste caso.
O relatório final da PJ sugeriu o arquivamento “porque mesmo que se prove que o esperma é do suspeito ele pode alegar que limpou o pénis às cuecas da criança”. De resto, foi assim que Leandro se justificou ontem ao CM: “Quando a Joana não estava, íamos para o quarto dela fazer aquelas coisas. E sei lá onde é que a Leonor se limpava.”
Um responsável da PJ diz que “não foi possível apurar se os vestígios eram do suspeito por existir problemas de contaminação” e ser um tipo de ADN complexo.
AMARAL LIGA ARAGÃO AOS DETECTIVES DOS MCCAN
“Uma comunidade de psicopatas.” É assim que o ex-coordenador da PJ, Gonçalo Amaral, classifica Leonor Cipriano e o seu advogado Aragão Correia, reagindo às acusações directas feitas anteontem pelo defensor no Tribunal de Faro.
“Esse senhor não está a defender os interesses da Leonor, mas sim de outras pessoas estranhas ao processo. Ele está a ser mandado por alguém”, acusa Amaral. Ao mesmo tempo alerta para o facto de o advogado ter “uma forte ligação à Metodo 3″, a empresa de detectives paga pelo casal McCann para investigar o desaparecimento de Maddie. Aragão Correia revelou ter tido conhecimento de que a polícia britânica fez uma investigação privada a Amaral e até falou com Leandro. Na altura, este terá sido informado do afastamento do polícia do caso Maddie – uma semana antes de ser oficial. Amaral diz que “não foi a polícia, mas sim a Metodo 3″.
DEFESA JÁ TEM TESTEMUNHA-CHAVE PARA HOJE
A Defesa dos cinco inspectores da PJ acusados de tortura a Leonor Cipriano prepara-se para apresentar hoje de manhã, logo depois das 09h30, uma “testemunha-chave” ao Tribunal de Faro, apurou o CM, que poderá ser “decisiva para ilibar” os polícias. Este testemunho tem sido mantido em segredo pela Defesa, por uma questão de estratégia, e só hoje de manhã será junto ao processo e conhecido pelo Ministério Público e advogados assistentes – Aragão Correia, defensor da mãe de Joana, e Rodrigo Santiago, em representação da Ordem dos Advogados. As muitas contradições de Leonor sobre as circunstâncias em que terá sido agredida pela PJ “são evidentes”, segundo fonte próxima da Defesa, e serão agora exploradas.”
in: Correio da Manha





